
O antigo ministro das finanças britânico Kwasi Kwarteng ofereceu no sábado um «mea culpa» quando apresentou um plano de disciplina fiscal em Setembro que levou a um mergulho alarmante na libra e, em termos políticos, um golpe que apressou a demissão do seu superior e agora ex-primeiro-ministro Liz Truss.
Kwarteng confessou numa entrevista com o Financial Times que o seu maior arrependimento foi o de estar «demasiado impaciente» com o plano. «Durante algum tempo pensámos que ia funcionar, mas as pessoas no comando, incluindo eu próprio, estragaram tudo», disse ele. «Deixámo-nos levar, inclusive por mim», acrescentou ele.
O executivo de Truss colocou em cima da mesa £45 mil milhões (cerca de 52 mil milhões de euros) de cortes fiscais, o que aterrorizou o establishment financeiro e político. A antiga primeira-ministra, numa questão de dias, retirou a sua proposta estrela do programa: um corte no imposto sobre o rendimento para os ricos de 45 para 40 por cento.
Kwarteng foi demitido após apenas 38 dias, fazendo dele o segundo ministro das finanças com o mandato mais curto. A Truss demitiu-se pouco tempo depois.
O sucessor de Kwarteng, Jeremy Hunt, anunciou imediatamente após a sua nomeação o quase total desmantelamento dos cortes fiscais e do plano de gastos públicos.
«Nenhum governo pode controlar os mercados, mas todos os governos podem dar certeza sobre a sustentabilidade das finanças públicas», explicou Hunt na altura.






