
O Parlamento Europeu anunciou no sábado a suspensão da socialista grega Eva Kaili de todos os seus poderes como Vice-Presidente do Parlamento Europeu, mas não do cargo em si, em ligação com um alegado esquema de suborno do Qatar a indivíduos que poderiam influenciar a tomada de decisões da instituição.
Tendo em conta as «investigações em curso pelas autoridades belgas», a Presidente do Parlamento Roberta Metsola «decidiu suspender com efeito imediato todos os poderes, tarefas e competências delegadas a Eva Kaili como Vice-Presidente» do Parlamento Europeu, disse o porta-voz do Parlamento.
Esta decisão, em termos práticos, significa a retirada de todas as capacidades de acção da Kaili, mas não o título de Vice-Presidente per se, pois cabe ao plenário do Parlamento Europeu retirá-la do cargo.
Os poderes já revogados de Kaili incluíam, por exemplo, o seu papel como presidente do Grupo de Trabalho sobre Estratégia de Inovação TIC ou como vice-presidente de organismos multilaterais (não de segurança), em particular as Nações Unidas e a Organização Mundial do Comércio (OMC).
Ela já tinha confirmado no sábado que o Parlamento tinha «cooperado plenamente» com as autoridades policiais e jurídicas relevantes em relação a um possível caso de suborno do Kaili por parte do Qatar.
«O nosso Parlamento Europeu mantém-se firme contra a corrupção. Nesta fase, não podemos comentar qualquer investigação em curso, excepto para confirmar que temos e iremos cooperar plenamente com todas as autoridades policiais e legais relevantes», disse Metsola.
Num post no seu perfil oficial no Twitter, a Presidente do PE salientou que o Parlamento fará «tudo o que for possível» para ajudar e cooperar no sentido de assegurar que a justiça siga o seu curso.
A polícia belga revistou na sexta-feira a casa de Kaili, que também foi interrogada, em ligação com um alegado esquema de suborno do Qatar a indivíduos que poderiam influenciar a tomada de decisões no Parlamento Europeu.
O Ministério Público Federal também relatou a detenção de quatro pessoas e até 16 buscas efectuadas em vários bairros de Bruxelas como parte de uma investigação sobre uma «alegada organização criminosa de corrupção e branqueamento de dinheiro» que há meses procura influenciar as decisões «económicas e políticas» do Parlamento Europeu em nome de um país do Golfo.






