
A Comissão Europeia defendeu na quarta-feira a «transparência» com que foram conduzidas as negociações sobre o acordo de aviação que Bruxelas concluiu no ano passado em nome da UE-27 com o Qatar, um pacto que a UE diz querer assegurar a concorrência leal entre companhias aéreas, mas que os eurodeputados pedem agora que seja reexaminado na sequência do escândalo do suborno.
«As negociações, com o estreito envolvimento da UE-27, foram feitas para alcançar uma situação de igualdade nas relações aeronáuticas, com disposições para proteger a concorrência leal», disse o porta-voz dos transportes da UE, Stefan de Keersmaecker.
Salientou também que o Parlamento Europeu foi mantido sempre informado sobre o progresso das negociações e salientou que os governos europeus, grupos de interesse, utilizadores e companhias aéreas foram ouvidos nas conversações «com total transparência». Em qualquer caso, De Keersmaecker concluiu, cabe à UE-27 decidir se deve ou não ratificar o acordo.
Bruxelas enquadrou este acordo no âmbito da estratégia de aviação europeia concebida em 2015, que procura «assegurar a melhor conectividade possível entre viajantes e empresas com segurança», disse o porta-voz, que insistiu que o executivo da UE pediu aos países da UE em 2015 um mandato para o negociar e obteve essa permissão em 2016.
O acordo foi concluído em Outubro de 2021 mas ainda se encontra no meio do processo de ratificação, um longo procedimento que deve passar por todos os parlamentos nacionais antes de ser também ratificado pelo Parlamento Europeu completo. Até agora, apenas seis países – Áustria, Letónia, Grécia, Irlanda, Estónia e República Checa – ratificaram o acordo com o Qatar, disseram fontes da UE à Europa Press.
A Presidente do Parlamento Roberta Metsola anunciou durante a sessão plenária desta semana que o relatório de aprovação da isenção de visto para o Qatar, que estava em vias de ser adoptado, será revisto à luz dos relatórios que os representantes do Qatar alegadamente pagaram subornos a deputados e assistentes para ganharem influência política e económica na UE.
A instituição decidiu também suspender todos os trabalhos e votações que possam ter influência no Qatar até que a investigação na Bélgica clarifique os factos e o plenário adopte uma resolução solicitando a proibição da entrada de diplomatas do Qatar na instituição.
Neste contexto, a presidente da Comissão dos Transportes e Turismo, a eurodeputada verde Karima Delli, informou os diferentes grupos da sua intenção de pedir explicações à Comissão Europeia sobre a forma como o acordo foi negociado e de solicitar a desclassificação de todas as conversações sobre o Qatar nas reuniões de coordenadores que os investigadores requerem.
«Tendo em conta os acontecimentos recentes, dar o consentimento a este acordo nesta fase pode ser difícil até se estabelecer que as condições eram transparentes e imparciais», diz Delli, numa comunicação enviada aos eurodeputados da comissão e acedida pela Europa Press.






