
O Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenski, defendeu na quarta-feira na entrega do Prémio Sakharov para a Liberdade de Pensamento que o Parlamento Europeu atribui anualmente para premiar a defesa dos direitos humanos que a Europa e a Ucrânia concebem uma «arquitectura de segurança» europeia para evitar a invasão russa pode ser repetida no futuro, para além de apelar a tribunais especiais para julgar crimes de guerra russos na Ucrânia.
No seu discurso de aceitação do prémio, que foi saudado por uma longa ovação dos deputados europeus, o líder ucraniano salientou que a agressão russa procura privar a Europa da liberdade e insistiu que a vitória contra Moscovo deve assegurar que «políticas genocidas contra o povo ucraniano» não possam ser aplicadas no futuro.
«A Ucrânia e a Europa devem alcançar uma nova arquitectura de segurança para garantir a paz internacional e o Estado de direito, faz parte da nossa obrigação moral», afirmou no seu discurso na última sessão do ano do Parlamento Europeu em Estrasburgo, França.
Denunciando a devastação que está a ser provocada pelo exército russo em zonas de Donbas, como a cidade de Bajmut, Zelenski disse que a Ucrânia defende os valores fundamentais do Prémio Sakharov e apelou ao apoio à iniciativa de criar tribunais especiais para julgar crimes de guerra cometidos por ocupantes russos.
«Peço-vos que apoiem esta iniciativa», instou, reconhecendo que o Parlamento Europeu sempre foi a favor da ideia e insistindo que o tribunal especial «deve tornar-se realidade o mais rapidamente possível» e que deve estender-se não só aos autores dos crimes mas também «àqueles que iniciaram e instigaram» a invasão, referindo-se ao Presidente russo Vladimir Putin.
O prémio Sakharov reconhece a luta e coragem do povo ucraniano face à invasão russa, na figura de Zelenski, bem como dos Serviços de Emergência do Estado ucraniano, a fundadora da unidade de avaliação médica «Anjos de Taira», Yulia Pajevska, a activista ucraniana dos direitos humanos e Presidente do Parlamento Europeu, Yulia Pajevska, e a activista ucraniana dos direitos humanos e Presidente do Parlamento Europeu; activista dos direitos humanos e presidente do Centro de Liberdades Civis, Oleksandra Matviychuk; o Movimento de Resistência Civil da Fita Amarela; e o presidente da câmara da cidade ucraniana de Melitopol, ocupada pelas forças russas, Ivan Fedorov.
Anteriormente, a Presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, disse que a instituição está do lado da Ucrânia face à invasão russa, sublinhando que Kiev está a travar uma guerra pelos valores europeus, valores que, disse ela, são «tomados como garantidos» no continente.
Reiterou que os ucranianos merecem as liberdades e a democracia de que gozam os europeus, insistindo que por vezes a liberdade e a democracia parecem «abstractas» na Europa, mas são claramente percebidas no caso da Ucrânia, que foi privada das mesmas pela ofensiva militar russa.






