
O parlamento de Moçambique aprovou um projecto de lei para legalizar as actividades das «forças locais» em operações anti-jihadistas na província norte de Cabo Delgado, como parte do reforço das ofensivas para tentar restaurar a estabilidade nesta parte do país.
O projecto de lei legaliza «a resistência activa e passiva dos cidadãos em áreas do território nacional ocupadas por forças agressoras», depois de defender a criação de grupos de autodefesa para enfrentar os jihadistas, segundo o jornal moçambicano ‘Verdade’.
O Ministro da Defesa de Moçambique, Cristovao Chume, defendeu que «a proposta procura legitimar as acções da ‘força local’ que corajosamente combate os terroristas de mão em mão». Disse que isto permitiria melhorias na «estruturação, organização e apoio logístico» para estas forças.
Salientou também que esta «força local» não tem uma «presença permanente» e salientou que as forças de segurança estão a trabalhar para «substituir» o apoio prestado pela Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) e as forças especiais ruandesas, destacadas em Cabo Delgado para reforçar a luta contra o terrorismo.
Chume argumentou que estes grupos de autodefesa foram criados para «reforçar o papel das forças de defesa e segurança no combate e contenção de incursões terroristas, protegendo comunidades e infra-estruturas públicas e privadas», como noticiado pela agência noticiosa portuguesa Lusa.
O projecto de lei foi apoiado pela Frente para a Libertação de Moçambique (Frelimo), que tem maioria no parlamento. A oposição Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) e o Movimento Democrático de Moçambique (MDM) votaram contra.
O próprio Chume assegurou em meados de Novembro que os grupos jihadistas «não têm bases permanentes» na província de Cabo Delgado, antes de indicar que os jihadistas estão divididos em pequenos grupos que perderam as suas posições devido às operações das forças de segurança.
Cabo Delgado tem sido palco, desde Outubro de 2017, de ataques por milicianos islamistas conhecidos como Al Shabaab, sem relação com o grupo do mesmo nome que opera na Somália, que tem laços com a Al Qaeda. Desde meados de 2009, têm sido reivindicadas sobretudo pelo Estado islâmico da África Central (ISCA), que tem intensificado as suas acções desde Março de 2020.






