
O antigo negociador do acordo de paz do governo colombiano com as agora extintas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), Humberto de la Calle, disse na segunda-feira que as boas intenções do governo de Gustavo Petro ainda não se traduziram em progressos na implementação do pacto entre as partes.
«A violência recorrente ameaça a implementação do acordo (…). Os relatos cada vez mais frequentes de massacres nas regiões (30 este semestre, segundo o Indepaz) e o aumento significativo de assassinatos de líderes sociais no novo governo», mais 50%, segundo a Fundação Ideias para a Paz, explicou ele num comunicado publicado no seu perfil no Twitter.
De la Calle salientou que, entre as medidas pendentes, está a nomeação de «uma pessoa responsável por liderar a execução do acordo e a coordenação das diferentes entidades encarregadas da sua implementação».
Sublinhou também que a nomeação de um director na Agência para a Reincorporação e Normalização ainda está pendente, e manifestou a sua preocupação com as directrizes reflectidas no Plano de Desenvolvimento Nacional do Governo Petro.
«Nas bases publicadas por este governo, há seis vezes menos indicadores. Nem parece haver indicadores para a maioria dos Planos Nacionais de Reforma Rural Integral, o que torna impossível medir o seu progresso, nem para culturas para uso lícito e desenvolvimento alternativo, nem para a reincorporação de ex-combatentes, nem para o cumprimento (com as vítimas). O que os governos não medem, eles não fazem», argumentou ele.
Finalmente, assegurou que o Programa Nacional Global para a Substituição de Culturas Ilícitas é «um grande desafio para o novo governo». «É urgente que o governo da Petro produza um ‘roteiro’ para implementar vigorosamente o programa», disse ele.
Apesar disso, De la Calle explicou que «não ignoramos» as «boas intenções do novo governo» e que houve um aumento significativo de recursos para o Ministério da Agricultura e agências do sector rural. «Fazemos simplesmente um convite para passar das palavras aos actos o mais rapidamente possível», concluiu.
Fonte: (EUROPA PRESS)






