
O Ministro dos Negócios Estrangeiros sueco Tobias Billstroem afirmou quinta-feira após o seu encontro com o seu homólogo turco Mevlut Cavusoglu em Ancara que a divulgação da propaganda do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) e o apoio às suas actividades será um crime em solo sueco.
Perante a crescente pressão do governo turco para que a Suécia cumpra as suas condições em troca do levantamento do veto que lhe permitiria aderir à OTAN, o ministro sueco disse que Estocolmo fará da «propaganda do terrorismo um crime no país».
«Isto será ainda mais abrangente (…) O apoio ou a promoção do terrorismo será criminalizado. Por exemplo, apoiar as actividades de PKK em solo sueco será também um crime», explicou, segundo a agência noticiosa Anatólia. «Estamos a fazer o nosso melhor para cumprir o pacto e implementá-lo», disse ele, referindo-se ao acordo alcançado pelas partes para que a Turquia levante o seu veto, que inclui a reforma das leis anti-terrorismo e o cumprimento dos pedidos de extradição da Turquia.
Billstroem salientou que os dois países partilham «uma intensa cooperação na luta contra o terrorismo» e assinalou que «algumas medidas têm de ser tomadas antes de o pacto ser plenamente implementado».
«A mensagem que quero transmitir ao ministro turco é muito clara: a Suécia cumpre as suas promessas. Levamos este acordo muito a sério, cada parágrafo. Estamos a começar a tomar medidas e vamos continuar a fazê-lo», sublinhou ele.
A este respeito, salientou que a Suécia tem um sistema judicial «independente» e acrescentou que foram tomadas medidas desde que o acordo foi assinado. «O PKK pode não ser uma grande ameaça para a Suécia, mas é definitivamente uma grande ameaça para a Turquia. Como governo sueco, levamo-lo a sério. Temos de olhar para o contexto geral, não para cada caso individual. Quando a nova legislação entrar em vigor, serão feitas alterações à constituição», explicou ele.
O ministro turco salientou que o processo «será longo» e que «está longe de ter terminado», insistindo ao mesmo tempo que é necessário «tomar mais medidas de solidariedade» com Ancara na luta contra o terrorismo, dado que a Suécia «continua a ser um lugar atractivo para os membros do PKK».
O governo turco continua a exigir a extradição de dezenas de suspeitos de terrorismo, incluindo o jornalista Bulent Kenes, que vive na Suécia, no exílio. Esta semana, o próprio Cavusoglu criticou a decisão do Supremo Tribunal sueco de rejeitar a extradição do jornalista, que foi rotulado de «terrorista» pelo Presidente turco Recep Tayyip Erdogan pelo seu alegado envolvimento na tentativa de golpe de Estado de 2016.
Na opinião do tribunal, algumas das infracções de que é acusado não são abrangidas pelo código penal sueco e podem ser «infracções políticas». Entretanto, a Turquia continua a bloquear a adesão da Suécia e da Turquia à OTAN até que as suas exigências sejam satisfeitas.
Fonte: (EUROPA PRESS)






