
O líder do Comité Cívico de Santa Cruz, Rómulo Calvo, exigiu na quarta-feira a libertação do governador da capital, Luis Fernando Camacho, uma das principais figuras da oposição ao presidente, Luis Arce, e a força motriz por detrás da greve de mais de um mês que afectou a região no contexto do conflito sobre a nova data do recenseamento da população.
«Sr. Luis Arce Catacora, exigimos a libertação imediata do Governador Luis Fernando Camacho», disse ele, antes de comentar que «o mal não tem lugar em Santa Cruz». Este é um povo de fé e esta luta é também pacífica», declarou, segundo o jornal «El Deber».
Neste sentido, o líder da oposição assegurou que Arce «jogou com fogo»: «Não vamos desistir nesta luta, vamos manter-nos firmes até às últimas consequências, até o nosso governador ser libertado, lutando pela democracia no nosso país», afirmou ele.
«Caro Luis Fernando, antigo presidente cívico e governador de Santa Cruz, nem o Comité nem o seu povo o abandonaram», disse ele numa mensagem da sua casa aos meios de comunicação social.
Calvo confirmou que esta quinta-feira ao meio-dia a Assembleia de Santa Cruz irá reunir-se para tomar as medidas necessárias contra a detenção de Camacho.
«Asseguro-vos que também vamos ganhar esta batalha. Devemos permanecer firmes, unidos e empenhados na liberdade e na democracia, como sempre caracterizou as nossas lutas, respeitando o Estado de direito. Não devemos cair em provocação e violência», disse Calvo.
Após a prisão de Camacho, alguns bolivianos iniciaram um bloqueio de várias estradas e saíram à rua em protesto contra a medida. As autoridades do país relataram um incêndio na casa do Ministro das Obras Públicas, Edgar Montaño, bem como no Ministério Público departamental e em vários edifícios.
O Ministério Público boliviano negou horas antes que a detenção de Camacho fosse «perseguição política», alegando que o processo, de que o arguido tinha conhecimento desde o início, estava de acordo com a lei e respeitava os direitos e garantias constitucionais.
A polícia prendeu o governador de Santa Cruz quando este tentou entrar na sua casa privada na cidade de Santa Cruz de la Sierra.
O advogado de Camacho, Martín Camacho, também confirmou ao El Deber que o governador tinha sido «raptado» e que estava a ser levado para o Aeroporto Internacional Viru Viru, localizado na região de Santa Cruz.
Parte do sector pró-governamental acusou Camacho nas últimas semanas de «terrorismo» por ter encorajado a greve de mais de um mês no departamento de Santa Cruz a exigir a aprovação do Censo da População e Habitação.
Fonte: (EUROPA PRESS)






