
O primeiro-ministro australiano Anthony Albanese anunciou um referendo para actualizar a Constituição de modo a incluir mais representação no Parlamento para os cidadãos aborígenes e das Ilhas do Estreito de Torres, as comunidades aborígenes da Austrália, até Dezembro do próximo ano.
«Por altura de (o) Woodford (festival), no próximo ano, terá sido realizado o referendo de Voz ao Parlamento. Esta é uma oportunidade para todos nós fazermos parte do enriquecimento da nossa nação e sermos ainda mais fortes no futuro», anunciou o líder australiano durante um discurso no Festival Folclórico de Woodford, no estado australiano de Queensland.
Para os albaneses, este evento sem precedentes dará voz às comunidades aborígenes e melhorará «a forma como os australianos se vêem a nós próprios, bem como a forma como o mundo nos vê».
O Executivo emitiu vários relatórios sobre como funcionaria a futura representação dos povos indígenas no Parlamento, mas não especificou todas as funções ou regras antes de ser votada num referendo pelos cidadãos australianos, de acordo com a Abc News.
«O povo votará sobre o princípio de que será garantida aos povos indígenas uma participação mais justa nas leis e políticas que os afectam, e o Parlamento legislará os pormenores», disse a Ministra australiana dos Assuntos Indígenas, Linda Burney, durante o mesmo discurso.
Estas declarações vêm uma semana depois de The Nationals for Regional Australia MP Andrew Gee ter deixado o partido por se recusar a apoiar o referendo, tal como mencionado pelos meios de comunicação acima mencionados.
ESFORÇO AUSTRALIANO PARA INCLUIR VOZES ABORIGINAIS Em Maio de 2017, mais de 250 líderes comunitários indígenas de toda a Austrália reuniram-se na região do deserto do Uluru para lançar uma declaração apelando ao estabelecimento de uma representação indígena na Constituição australiana.
Anthony Albanese comprometeu-se inicialmente a tal referendo no seu primeiro discurso como primeiro-ministro após a sua vitória eleitoral em Maio de 2022.
«Devemos considerar perguntar aos nossos colegas australianos algo tão simples como ‘Apoiam uma emenda à Constituição que estabelece uma Voz Aborígene e do Estreito de Torres'», disse a Ministra dos Assuntos Indígenas Linda Burney alguns dias mais tarde, como citado pelos meios de comunicação acima mencionados.
Até hoje, a questão aborígene continua a ser uma das questões candentes da Austrália, com as comunidades indígenas a não partilharem muitos dos padrões estabelecidos na Constituição australiana e a apelarem a uma maior participação nos órgãos governamentais.
Pela sua parte, a oposição continua céptica em relação a estas exigências e continua a pedir ao governo mais informações sobre a medida em que as leis e políticas australianas podem ser influenciadas.
Fonte: (EUROPA PRESS)






