
O Congresso brasileiro aprovou na terça-feira – mas com o voto contra dos bolonaristas – a intervenção federal em Brasília decretada no domingo pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva para permitir ao estado assumir poderes de segurança após o assalto à sede dos três ramos do governo.
O Senado deu a sua aprovação na terça-feira à medida decretada pelo Presidente Lula com o voto contra de alguns associados de Jair Bolsonaro, um dia após a aprovação dada pela Câmara dos Deputados, onde os apoiantes do ex-presidente brasileiro optaram por sair antes da votação.
«Esta minoria antidemocrática não representa o povo brasileiro. Esta minoria golpista não imporá a sua vontade através da barbárie, da força e de actos criminosos», salientou o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco.
«Esta minoria extremista será identificada, investigada e responsabilizada, bem como os seus financiadores, organizadores e agentes públicos que voluntariamente omitiram fazê-lo», disse Pacheco, que pediu que o que aconteceu no domingo não fosse esquecido.
A medida, aprovada por unanimidade em ambas as câmaras numa votação simbólica, estará em vigor até ao final de Janeiro. «O povo quer o respeito pela lei, pelas instituições e pelo património público. A melhor resposta que podemos dar agora é mais democracia», disse na segunda-feira o Presidente da Câmara Arthur Lira.
Embora a medida tivesse o apoio unânime da Câmara, alguns apoiantes pró-Bolsonar, como os deputados do Partido Liberal (PL) Carla Zambelli e Bia Kicis, tentaram adiar a votação, argumentando que teriam mais tempo para analisar o decreto presidencial.
Para Kicis, a medida não se justificava, uma vez que a situação em Brasília já estava sob controlo. «A polícia tentou contê-lo, houve falhas, mas deve dizer-se que já estava sob controlo», argumentou ele. A PL e o também liberal Partido Novo foram as duas únicas bancadas da Câmara que se abstiveram de votar.
Embora o decreto de intervenção federal tenha força de lei assim que é assinado pelo presidente, requer a aprovação de ambas as câmaras do Congresso, que podem autorizar ou rejeitar o texto sem o modificar.
No domingo, após o assalto à sede dos três ramos do governo, o juiz do Supremo Tribunal Alexandre de Moraes ordenou a demissão temporária do governador de Brasília, Ibaneis Rocha, e do secretário de segurança, Anderson Torres, por «omissão» das suas funções e «conivência» com os assaltantes.
As autoridades de Brasília têm sido amplamente questionadas pela forma como lidaram com a crise política, criticando a passividade com que agiram enquanto o assalto, entre outros, ao Palácio do Planalto, teve lugar.
Os meios de comunicação social fizeram eco de vídeos que se espalharam pelas redes sociais, nos quais vários agentes da polícia podem ser vistos impassivelmente a ver como os apoiantes de Bolsonaro se espalharam pelas ruas. Num deles, os oficiais são mesmo vistos a permitir a entrada dos assaltantes no edifício do Congresso.
Fonte: (EUROPA PRESS)






