
O exército da República Democrática do Congo (RDC) negou as acusações do grupo rebelde Movimento 23 de Março (M23) de que mercenários do Grupo Wagner estavam envolvidos no conflito.
«O Grupo Wagner não opera na RDC», o porta-voz do exército Major General Sylvain Ekenge negou à BBC. Esta negação foi repetida pelo Presidente da RDC Felix Tshisekedi em Outubro do ano passado. «Não precisamos de mercenários», disse ele ao The Financial Times.
Nas últimas semanas têm aumentado os rumores de que os mercenários do grupo russo estão a trabalhar com as autoridades da RDC para conter os rebeldes M23, que nos últimos meses recapturaram grandes áreas no leste do país, onde os combates têm vindo a grassar há anos.
«É verdade, o Grupo Wagner está aqui. Temos provas de que iremos mostrar no devido tempo», disse o porta-voz do M23 Willy Ngoma ao mesmo canal na quarta-feira, dizendo que na semana passada entraram em conflito com um grupo composto por mercenários do grupo e militares da RDC na área de Rutshuru, no Kivu Norte.
Estas acusações também têm sido ecoadas pelo Ruanda, que a RDC acusa de apoiar os rebeldes. O Presidente ruandês Paul Kagame acusou esta semana o governo congolês de utilizar o Grupo Wagner e alertou para um «desastre». «Os mercenários são as pessoas mais inúteis em quem se pode confiar», disse ele.
A presença do Grupo Wagner está a tornar-se cada vez mais notória nos conflitos que ocorrem no continente africano. Além do seu conhecido envolvimento do lado do governo da República Centro-Africana na luta contra os rebeldes, é suspeito de fazer o mesmo em vários países do Sahel.
No que diz respeito à RDC, o M23 é acusado desde Novembro de 2021 de realizar ataques contra posições do exército no Kivu do Norte, apesar do facto de as autoridades congolesas e o grupo rebelde terem assinado um acordo de paz em Dezembro de 2013, na sequência dos combates desde 2012.
A situação conduziu a um pico de tensões entre a RDC e o Ruanda, uma vez que Kinshasa acusa Kigali de apoiar os rebeldes. Kigali, por seu lado, denuncia o apoio de Kinshasa às Forças Democráticas para a Libertação do Ruanda (FDLR), fundadas por e compostas principalmente por Hutus responsáveis pelo genocídio de 1994 no Ruanda.
Fonte: (EUROPA PRESS)






