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O TJUE considera ilegal a lei polaca que permite a um trabalhador ser negado um contrato devido à sua orientação sexual

Pedro Santos

2023-01-12
Arquivo
Arquivo – Marcha pela igualdade LGTBI em Cracóvia no final de Agosto. – FILIP RADWANSKI / ZUMA PRESS / CONTACTOPHOTO

O Tribunal de Justiça da União Europeia decidiu na quinta-feira uma lei ilegal na Polónia que permite a discriminação com base na orientação sexual na contratação de trabalhadores independentes, advertindo que a liberdade de escolha da parte contratante pode ser restringida a fim de preservar valores importantes numa sociedade democrática, tais como a igualdade.

O caso remonta a Dezembro de 2017, quando um freelancer da emissora pública polaca foi despedido após ter colocado um vídeo na Internet apelando à tolerância de casais do mesmo sexo e lhe foi dito que já não seria contratado.

Levou o caso aos tribunais, que agora recorrem ao Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) para perguntar se a directiva sobre a igualdade de tratamento no emprego se aplica e, por conseguinte, impede as regras polacas que permitem a recusa de celebrar um contrato com um trabalhador independente com base na sua orientação sexual.

Na sua decisão de quinta-feira, o tribunal sedeado no Luxemburgo considera que um trabalhador independente também pode ser colocado numa situação de vulnerabilidade comparável à de um empregado despedido se o empregador puser termo à relação.

Por conseguinte, a decisão de não renovar o contrato devido à orientação sexual do contratante é abrangida pelo âmbito de aplicação da directiva.

Além disso, segundo o Tribunal de Justiça, o facto de o legislador polaco ter previsto uma série de excepções à liberdade de escolher a outra parte contratante mostra que ele próprio considerou que a discriminação não podia ser considerada necessária para garantir a liberdade contratual numa sociedade democrática.

Finalmente, o Tribunal Europeu recorda que admitir que a liberdade contratual permite a recusa de contratar com uma pessoa por motivos de orientação sexual seria privar a directiva e a proibição de discriminação com base nesse motivo do seu efeito útil.

Fonte: (EUROPA PRESS)

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