
O Ministro do Trabalho do Peru, Eduardo García Birimisa, demitiu-se na quinta-feira após os últimos confrontos entre as forças de segurança e manifestantes, que deixaram pelo menos 49 pessoas mortas.
Quase um mês após ter feito o juramento de posse, García Birimisa enviou uma carta ao presidente peruano, Dina Boluarte, declarando a sua «demissão irrevogável» na sequência das mortes nas regiões de Puno e Cuzco.
«Desta vez acredito que a atenção às exigências sociais já não é suficiente para o que o país necessita. As tragédias que acabamos de viver provam-no», observou o agora ex-ministro do Trabalho numa declaração na rede social Twitter.
«Requer uma declaração do governo que expresse a dor que sentimos pela perda das vidas dos nossos irmãos e irmãs, pelas perdas sofridas por estas famílias. Temos de pedir desculpa à população e reconhecer que foram cometidos erros que devem ser corrigidos para que isto não volte a acontecer», disse o ministro do trabalho na carta.
Neste sentido, afirmou que a situação actual do país merece uma mudança de rostos na liderança do país, bem como uma eleição antecipada «que já não pode esperar até Abril de 2024».
Na opinião de García Birimisa, a não convocação de eleições gera um desgaste que, pelo menos no seu caso, o desqualifica para a implementação da construção do diálogo.
«Todos os desejos que tive de contribuir um pouco para o meu país já não justificam a minha permanência no governo, a possibilidade de contribuir para garantir os direitos laborais fundamentais dos trabalhadores, o diálogo social como única garantia de democracia nas relações laborais e no país, a promoção do emprego decente e a segurança social», enumerou.
«Por esta razão, demito-me irrevogavelmente do cargo de Ministro de Estado no Ministério do Trabalho e da Promoção do Emprego», acrescentou ele.
CRITICISMO DO CONGRESSO No entanto, o Ministro do Trabalho peruano atacou contra a polarização no Congresso, onde «a maioria» dos parlamentares «parece ver a única reacção como sendo a de exacerbar as contradições».
«Não acredito que esta atitude nos permita partilhar ideias para enriquecer as nossas perspectivas e, pelo contrário, condena-nos a tentar impor uma ideia sobre a outra ao custo de alcançar maiorias estreitas. Esta não é a forma de aprovar reformas políticas substanciais», disse García Birimisa.
Segundo ele, todos os peruanos precisam de entrar «num processo de reflexão» para compreender que aqueles que pensam de forma diferente «não estão necessariamente errados».
«Precisamos de ser capazes de discutir com um diálogo sério, no qual validemos a posição dos outros e façamos um esforço para compreender as suas razões, só então seremos capazes de nos respeitar e identificarmos uns com os outros», acrescentou ele.
Fonte: (EUROPA PRESS)






