
O juiz do Supremo Tribunal brasileiro Alexandre de Moraes, a pedido da Procuradoria-Geral da República, abriu um inquérito contra o governador demitido de Brasília, Ibaneis Rocha, por «negligência» durante o assalto a instituições estatais por uma multidão de fãs do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Além de Rocha, que foi destituído do cargo durante 90 dias pelo próprio De Moraes após a violência de 8 de Janeiro, também incluído na investigação está o ex-ministro da justiça sob o comando de Bolsonaro, Anderson Torres, que era responsável pela segurança na capital, e para quem foi emitido um mandado de captura.
Fernando de Sousa Oliveira, antigo secretário interino da Segurança Pública em Brasília, e Fábio Augusto Vieira, antigo comandante da Polícia Militar de Brasília, também serão investigados por «negligência» durante a gestão dos ataques e «conluio» com os responsáveis.
No caso de Rocha, De Moraes afirma que não só defendeu um falso protesto político em Brasília — «sabendo que as instituições seriam atacadas» — mas também «ignorou» todos os apelos das outras autoridades para pôr em prática um plano de segurança.
«Num momento tão sensível para a democracia brasileira, em que os actos antidemocráticos ocorrem diariamente, com a ocupação de espaços militares por todo o país e em Brasília, não se pode alegar ignorância ou incompetência por omissão deliberada e criminosa», disse De Moraes.
Na mesma decisão, o juiz do Supremo Tribunal autorizou também outras exigências da Procuradoria-Geral da República, tais como que o Ministério da Justiça investigue possíveis crimes cometidos contra o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ou que o novo controlador de Brasília, Ricardo Cappelli, possa responsabilizar os responsáveis pela segurança.
Pela sua parte, Rocha faz voluntariamente uma declaração à Polícia Federal após submeter um pedido ao Supremo Tribunal, a fim de «esclarecer todas as circunstâncias» das acções do governo de Brasília durante os acontecimentos de domingo, 8 de Janeiro.
Fonte: (EUROPA PRESS)






