
Vários ministros brasileiros do gabinete de Luiz Inácio Lula da Silva denunciaram quinta-feira que a descoberta de um projecto de decreto apreendido na casa do antigo ministro da Justiça de Jair Bolsonaro para alterar o resultado eleitoral faz parte das tentativas de levar a cabo um golpe de Estado.
O Ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, assegurou que ficou provado que o objectivo era «fabricar o caos para enterrar a democracia», de acordo com o jornal ‘Folha de São Paulo’.
«À medida que as investigações avançam, o objectivo criminal daqueles que financiaram, organizaram e executaram os actos do domingo passado torna-se ainda mais claro», insistiu Padilha.
«A tentativa de golpe foi premeditada e delineada em pormenor, mas não deixaremos os perpetradores escapar impunes», disse ele.
O chefe da Justiça e Segurança Nacional, Flávio Dino, salientou que esta tentativa de golpe «falhou tal como a tentativa» deste domingo, em que milhares de apoiantes bolonharianos invadiram o Congresso, o Supremo Tribunal e o palácio presidencial.
«(Isto) sublinha que o que vimos aqui a 8 de Janeiro não foi algo isolado. De facto, foi um elemento de uma cadeia, um elo de um movimento golpista no Brasil e que houve actos preparatórios espantosos, como este decreto de intervenção militar», sublinhou.
«E a gravidade é óbvia porque isto é inconstitucional», disse Dino numa entrevista com a CNN TV, relatada pelo jornal acima mencionado.
Da mesma forma, o Ministro do Trabalho, Luiz Marinho, descreveu como «muito grave» o «projecto de decreto para o (agora) ex-presidente anular os resultados eleitorais». «Mais uma prova da tentativa de golpe», reiterou ele.
A Polícia Federal Brasileira (PF) encontrou horas antes na casa do antigo Ministro da Justiça e Segurança Pública Anderson Torres, que ocupava o cargo sob o antigo Presidente Jair Bolsonaro, uma proposta de decreto para inverter o resultado das eleições em que o actual Presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, ganhou.
Torres explicou que o decreto para inverter o resultado eleitoral que a polícia encontrou na sua casa «foi divulgado fora do contexto», uma vez que os ministros recebem documentos e propostas «de uma grande variedade de fontes». Segundo ele, este projecto teria estado numa pilha de documentos que tinham sido descartados.
O juiz do Supremo Tribunal Alexandre de Moraes emitiu esta semana um mandado de busca e captura para o antigo chefe da pasta ministerial, depois de a polícia ter apontado «omissão e conivência» das autoridades de segurança do Distrito Federal no controlo do assalto aos poderes em Brasília. Após deixar o ministério, Torres tornou-se secretário da Segurança Pública do Distrito Federal, cargo do qual foi afastado após os actos antidemocráticos de domingo.
Fonte: (EUROPA PRESS)






