
A OTAN salientou quinta-feira que a Ucrânia precisa de tanques de combate para fazer frente às forças russas que está a combater na região de Donbas, afirmando que é também um recurso importante para Kiev reconquistar o seu território ocupado pela Rússia.
«Numa guerra como esta, qualquer tipo de equipamento é necessário. Os russos estão a lutar com tanques, por isso os ucranianos também precisam deles. Se tiver um tanque do outro lado, ao seu lado, é melhor ter um tanque», disse Rob Bauer, presidente do Comité Militar da OTAN, numa conferência de imprensa após a reunião dos Chefes de Estado-Maior aliados.
No meio do debate sobre o envio de tanques do Ocidente para a Ucrânia para continuar a luta contra a Rússia na região de Donbas, o chefe militar da OTAN disse que tal passo seria relevante para «corresponder ao que o inimigo tem».
Bauer foi mais longe, insistindo que «em termos da ambição» dos ucranianos, estes sistemas poderiam ser a chave para a reconquista do seu território. «Um tanque é um importante sistema de armas para combater os russos e expulsá-los do território», disse ele.
Contudo, o Comandante Supremo Aliado da Europa (SACEUR) Christopher Cavoli explicou na mesma conferência de imprensa que «não há nenhum sistema de armas em particular que seja uma bala de prata». «É preciso um equilíbrio de todos os sistemas», argumentou o comandante militar dos EUA.
O chefe das operações militares da OTAN salientou que é «claro» que a tecnologia militar ocidental está a superar a tecnologia russa na guerra, sugerindo a importância potencial dos tanques de batalha no contexto ucraniano.
Mas, ao mesmo tempo, salientou que «não se trata apenas de tanques», mas de todo o sistema, incluindo a cadeia de abastecimento, sistemas logísticos, manutenção e capacidades de direccionamento. «Tudo isto anda de mãos dadas», disse ele.
A NATO PODE GESTAR O RISCO Do mesmo modo, quanto ao risco que o fornecimento de tanques à Ucrânia implica para a Aliança Atlântica, que a Rússia já avisou que representa uma escalada por parte dos países da NATO, Cavoli foi categórico ao afirmar que a organização, em virtude dos contactos entre aliados, tem a capacidade de gerir estes riscos de segurança.
«Temos uma variedade de ferramentas de gestão da escalada e uma discussão política vibrante que nos ajuda a ultrapassar isso. Podemos, então, gerir o risco? Sim, absolutamente», disse ele.
OFENSIVO RUSSO EM SPRING Perguntado sobre o futuro do concurso militar na Ucrânia e uma possível ofensiva russa em grande escala esta Primavera, Bauer recordou que os objectivos estratégicos de Moscovo não mudaram, pelo que são de esperar novos ataques por parte do exército russo nos próximos meses.
«É por isso que é provável que os russos optem pela próxima ofensiva. Não se trata de algo que saibamos ao certo. Mas isso baseia-se no pressuposto de que se não tiverem alterado os seus objectivos estratégicos, a próxima coisa que é provável que aconteça na Primavera é uma nova ofensiva», reflectiu ele.
Por todas estas razões, o almirante da Marinha holandesa insistiu na necessidade de Kiev se preparar para este cenário de guerra, o que inclui pedidos aos aliados para reforçar o seu apoio militar.
Fonte: (EUROPA PRESS)






