
A União Europeia considera que a situação política na Venezuela é «totalmente diferente», com importantes mudanças nos últimos meses na esfera nacional, com a demissão do presidente «responsável» Juan Guaidó, e mudanças regionais com o restabelecimento das relações com a Colômbia e o Brasil, e é por isso que aspira a mudar a sua posição em relação a Caracas.
Foi o que disse um alto funcionário da UE antes da reunião dos Ministros dos Negócios Estrangeiros do bloco na próxima segunda-feira, na qual o Alto Representante da UE, Josep Borrell, discutirá a situação na Venezuela e a sua intenção de adaptar a política europeia à nova realidade do país sul-americano.
«A situação é totalmente diferente, não sei se a UE vai adaptar a sua política, mas haverá uma reflexão do Alto Representante sobre isto, o que se faz quando as circunstâncias mudam», disse o alto funcionário.
Fontes diplomáticas explicam que uma das ferramentas que a UE está a utilizar é a de reanimar o Grupo de Contacto da Venezuela a fim de retomar as relações com Caracas e tentar influenciar uma solução democrática para a crise.
REGIME DE MADURO, MENOS ISOLADOS A análise da diplomacia europeia sublinha que nos últimos seis meses houve mudanças significativas, tais como o restabelecimento das relações com a Colômbia e o Brasil após a chegada dos governos progressistas de Gustavo Petro e Luiz Inacio Lula da Silva. «O regime de Nicolás Maduro é menos isolado do que era há alguns anos atrás», conclui o funcionário da UE.
A isto juntam-se as mudanças internas na oposição venezuelana, com a demissão de Juan Guaidó como presidente «no comando» e a nova fase de reorganização da oposição a Maduro. Os movimentos diplomáticos dos Estados Unidos, Espanha e Portugal, que restabeleceram os seus embaixadores em Caracas, também têm peso.
Neste mesmo contexto, a UE está a acompanhar de perto o progresso das conversações no México entre o governo e a oposição, e o próprio Borrell deu a entender que, se forem feitos progressos no diálogo sobre a realização de eleições democráticas, livres e justas na Venezuela, poderão ser tomadas medidas para aliviar as sanções.
«Estamos dispostos a rever as sanções impostas ao governo de Nicolás Maduro se forem feitos progressos no diálogo», disse o chefe da diplomacia da UE em Dezembro. Fontes europeias salientaram na altura que as sanções foram impostas devido à deterioração da democracia no país e que são «reversíveis ou podem ser aumentadas em função da evolução da situação».
Fonte: (EUROPA PRESS)






