
O primeiro-ministro japonês Fumio Kishida anunciou na segunda-feira que combater a baixa taxa de natalidade será a principal prioridade do seu governo e revelou que menos de 800.000 nascimentos serão registados em 2022.
Kishida prometeu perante a Dieta japonesa ou o Parlamento um pacote de medidas «sem precedentes» para promover a taxa de natalidade, recorrendo a fontes financeiras estáveis para assegurar a realização destes objectivos, de acordo com a televisão pública japonesa NHK.
O presidente garantiu que o Japão está numa «encruzilhada crítica» 77 anos após a Segunda Guerra Mundial «à beira de já não poder funcionar como uma sociedade» e deve, portanto, «romper com as práticas actuais» para construir «uma sociedade, uma economia e uma ordem internacional adequada à nova era».
O Japão tem uma população de 125 milhões de habitantes, 28 por cento dos quais têm mais de 65 anos. A taxa de natalidade foi de 1,34 crianças por mulher e 800.000 nascimentos em 2022, enquanto nos últimos anos se registaram mais de 1,44 milhões de mortes por ano. Estudos já prevêem que o Japão terá menos de 53 milhões de pessoas até ao final do século se a tendência não for invertida.
Kishida também propôs aumentar o orçamento da defesa para 40 triliões de ienes (cerca de 310 mil milhões de euros) ao longo dos próximos cinco anos. Um quarto destes fundos virá de aumentos de impostos.
Kishida também mencionou o aumento dos preços e disse que o governo tentará aumentar os salários e acelerar a reforma laboral planeada para penalizar o emprego temporário e promover a reconversão profissional.
No domínio da energia, Kishida salientou o empenho do seu governo na construção de reactores nucleares de última geração e na extensão do funcionamento das centrais actualmente em funcionamento.
RESPOSTA DE OPOSIÇÃO O presidente do Partido Democrático Constitucional, Kenta Izumi, censurou Kishida pelo facto de, numa situação de redução dos fundos disponíveis para o governo, só o orçamento da defesa estar a aumentar.
Criticou também Kishida pela sua intenção declarada mas sem medidas concretas para combater a baixa taxa de natalidade e recordou que o Partido Liberal Democrático no poder está no poder há dez anos, prometendo uma resposta a este problema sem ter alcançado quaisquer resultados.
O Secretário-Geral do Partido da Inovação do Japão, Fumitake Fujita, questionou o financiamento do aumento das despesas militares e levantou a necessidade de inovar a fim de obter os fundos necessários.
O porta-voz do Partido Comunista Japonês Kazuo Shii disse que o povo não apoiaria o aumento das despesas militares porque Kishida tinha dado «nenhuma explicação convincente» das razões para tal e advertiu que isso significaria adquirir a capacidade de atacar bases inimigas e uma expansão sem precedentes do poder militar do Japão.
Fonte: (EUROPA PRESS)






