
O presidente do Chile, Gabriel Boric, denunciou na terça-feira a morte de manifestantes no Peru e avisou que as detenções e imagens de violência na Universidade de San Marcos no Peru faziam lembrar «cenas dos tempos das ditaduras».
«É também inaceitável que as universidades da América revivam as tristes cenas dos tempos das ditaduras do Cone Sul, como aconteceu recentemente com a entrada violenta da polícia na Universidade de San Marcos», disse ele.
Durante o seu discurso na cimeira da Comunidade dos Estados da América Latina e Caraíbas (CELAC) em Buenos Aires, Argentina, Boric denunciou a repressão das manifestações anti-governamentais que têm vindo a ter lugar no Peru há mais de um mês.
«Mais de 50 pessoas perderam a vida e isto deve chocar-nos (…) Face a estes ultrajes, reitero a vontade do Chile de contribuir em todos os espaços multilaterais», disse, segundo o ‘El Mercurio’.
Neste contexto, Boric transmitiu às autoridades andinas a necessidade de «mudar de rumo no Peru» porque «o equilíbrio deixado pelo caminho da repressão». «A violência é inaceitável», ainda mais para aqueles que afirmam ser defensores da «democracia e dos direitos humanos», acrescentou ele.
BRASIL E VENEZUELA Por outro lado, Boric advertiu que o que aconteceu no início do ano no Brasil, quando uma multidão de apoiantes do ex-presidente Jair Bolsonaro invadiu a sede dos três ramos do governo, deveria colocar toda a região em alerta.
«A democracia deve ser respeitada, especialmente quando a pessoa com quem discordo vence em eleições livres», disse Boric, que foi inflexível na defesa do «valor da democracia» e dos direitos humanos.
Sobre a Venezuela, Boric instou Caracas a regressar aos «fóruns multilaterais». «Manifestamos o nosso apoio à tradição democrática e pacífica decidida pelo povo da Venezuela perante a crise política e humanitária que atinge o país», disse ele.
Sublinhou o empenho do Chile em promover «o diálogo entre os diferentes sectores» na Venezuela, levando a «eleições livres, justas e transparentes com supervisão internacional em 2024».
Finalmente, Boric defendeu o reinício das reuniões sobre migração, pois acredita que o Chile «não pode continuar a receber ondas descontroladas de migração». «Os nossos serviços não têm a capacidade de receber e acolher tantas pessoas em tão pouco tempo», reconheceu o chefe de Estado chileno.
Fonte: (EUROPA PRESS)






