
O governo brasileiro anunciou na terça-feira a demissão de mais de 50 funcionários públicos, incluindo uma dúzia de militares, que trabalhavam em diferentes áreas relacionadas com a assistência às comunidades indígenas, dias depois de terem sido reveladas as dificuldades que estão a atravessar.
Um total de 54 pessoas foram demitidas, incluindo onze coordenadores regionais da Secretaria de Saúde Indígena (SESAI), que se reporta ao Ministério da Saúde, e 43 outros chefes regionais e estaduais da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI), incluindo treze membros das forças armadas.
Embora o Ministério da Saúde tenha salientado que estas demissões e as próximas nomeações são um processo natural numa mudança de governo, elas surgem poucos dias após a nova administração do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter denunciado o «genocídio» de que algumas destas comunidades tinham sido vítimas, citando o povo Yanomami como exemplo.
«Mais do que uma crise humanitária, o que eu vi em Roraima foi um genocídio. Um crime premeditado contra os Yanomami, cometido por um governo insensível ao sofrimento do povo brasileiro», escreveu Lula no seu perfil no Twitter.
Sob o governo de Lula, pela primeira vez, o SESAI e a FUNAI serão liderados por membros destas comunidades nativas. No caso da FUNAI, deixará de depender do Ministério da Justiça, passando a fazer parte da pasta dos Povos Indígenas.
O governo brasileiro anunciou também que a Polícia Federal já está a abrir uma investigação sobre casos de omissão e má gestão que possam ter sido cometidos há anos para conter e resolver os problemas da comunidade Yanomami, cujo território é o lar da maior reserva indígena do Brasil.
O novo Ministério dos Povos Indígenas advertiu que esta região está a sofrer uma crise humanitária e alimentar sem precedentes, e estimou que pelo menos 570 crianças morreram de desnutrição ou de alimentos contaminados por mercúrio em resultado da invasão da mineração ilegal, relata o G1.
A emergência humanitária, denunciam as novas autoridades, é uma consequência directa dos cortes feitos pelo governo de Jair Bolsanaro, que é acusado de ter encorajado e permitido a presença destes extractores ilegais de ouro e outras pedras preciosas.
Fonte: (EUROPA PRESS)






