
O Ministério dos Negócios Estrangeiros peruano enviou na segunda-feira uma nota diplomática de protesto à Colômbia por declarações do Presidente colombiano Gustavo Petro criticando a operação das forças de segurança peruanas na Universidad Nacional Mayor de San Marcos (UNMSM) em Lima.
De acordo com a carta enviada pela diplomacia peruana, Petro tinha levado a cabo um «novo acto de interferência» em assuntos de política interna, uma conduta que tem sido descrita como «não coerente com as normas do direito internacional».
«Os seus actos de interferência são inconsistentes com a conduta que todos os chefes de Estado devem observar em conformidade com o direito internacional», disse o Ministério dos Negócios Estrangeiros peruano, criticando o presidente colombiano por ter emitido um parecer sobre o que aconteceu no campus da Universidade de San Marcos.
O presidente colombiano exigiu que a Organização dos Estados Americanos (OEA) examinasse «o caso do Peru» na sequência da decisão do governo andino de lançar uma operação policial no centro educativo para despejar manifestantes que se tinham trancado nas suas instalações, numa acção que resultou em pelo menos 205 detenções e críticas de organizações internacionais.
«Raid universidades». Gritando «Morte à inteligência! O Conselho Permanente da OEA deveria ser convocado para examinar o caso do Peru», disse Petro numa mensagem na rede social Twitter.
Cerca de 400 polícias invadiram a universidade na capital do país com tanques e apoio das forças especiais, sem cumprirem os procedimentos legais para as detenções.
O Ministro do Interior do Peru, Vicente Romero, explicou anteriormente que a operação teve lugar no quadro do estado de emergência, razão pela qual a presença de procuradores não foi necessária para a intervenção, uma vez que as organizações de direitos humanos têm vindo a denunciar.
Organizações como a Amnistia Internacional condenaram o «uso desproporcionado da força» e o respeito pelos direitos humanos. «O estado de emergência não suspende o devido processo. Os detidos devem ter acesso à sua defesa a todo o momento e dispor de intérpretes, se necessário. A proibição da detenção incomunicável e do tratamento cruel e desumano é mantida», recordou o organismo internacional.
Fonte: (EUROPA PRESS)






