
Os Ministérios do Interior e da Defesa peruanos emitiram na quinta-feira um comunicado conjunto informando que a Polícia peruana, com o apoio das Forças Armadas, irá desbloquear as estradas da Rede Rodoviária Nacional que se encontra em estado de emergência devido a protestos anti-governamentais.
«Apelamos aos que persistem nestas medidas ilegais que desistam, que permitam o desbloqueio pacífico das estradas e que evitem confrontos com as forças de segurança, que actuarão em defesa da legalidade», lê-se na carta, na qual ambos os ministérios citam vários artigos da Carta Magna peruana, de acordo com a estação de rádio RPP.
Os Ministérios do Interior e da Defesa recordaram que o bloqueio de estradas é «um acto ilegal contra a liberdade de circulação das pessoas» e que, além disso, o Código Penal do país pune como crime de extorsão aqueles que «com violência ou ameaças tomam as instalações, obstruem as estradas, impedem a livre circulação ou perturbam o funcionamento normal dos serviços públicos».
Salientaram também que até à data dez peruanos perderam a vida em consequência do bloqueio de estradas, incluindo um recém-nascido cuja mãe não pôde receber cuidados médicos atempados na região de La Libertad, um recém-nascido na região de Puno e uma criança de um ano de idade em Cuzco.
«O direito ao protesto não autoriza o bloqueio de estradas, nem pode ser sobreposto ao direito à vida das pessoas que precisam de ser transferidas para receber tratamentos delicados como a oncologia ou que precisam de oxigénio e medicamentos para chegar às suas regiões a fim de continuarem a viver», sublinharam no comunicado.
O Peru encontra-se no meio de uma profunda crise política após o impeachment pelo Congresso do antigo presidente Pedro Castillo, que anunciou a 7 de Dezembro que o Parlamento Andino seria dissolvido e que seria criado um governo especial.
Após a detenção do antigo presidente, dezenas de milhares de pessoas manifestaram-se em protesto em várias partes do país para exigir a demissão do presidente Dina Boluarte, a dissolução do Congresso e a convocação urgente de eleições presidenciais. Desde então, mais de 60 pessoas foram mortas em tumultos entre manifestantes e forças de segurança.
Fonte: (EUROPA PRESS)






