
O Gabinete de Ministros da Ucrânia aprovou na sexta-feira uma resolução proibindo os funcionários, incluindo deputados, juízes, procuradores e representantes das autoridades locais, de viajar para o estrangeiro por lazer ou sem «razões válidas».
«É possível ir para o estrangeiro para negociações, para tratamento, para cuidar de crianças menores. Não para férias», disse o Primeiro-Ministro da Ucrânia, Denis Shmigal, acrescentando que esta medida é consistente «durante a guerra» no país.
O Presidente ucraniano Volodymyr Zelensky assinou um decreto a 23 de Janeiro especificando que os funcionários ucranianos só podiam viajar ao estrangeiro em viagens de negócios e não por razões de lazer ou injustificadas, recordou a agência noticiosa UNIAN.
O conselheiro presidencial ucraniano Mikhail Podoliak defendeu a medida, assegurando que «não se fará vista grossa». «Durante a guerra, todos devem compreender a sua responsabilidade. O presidente vê e ouve a sociedade e responde directamente a uma exigência chave do público: justiça para todos», disse ele no seu perfil no Twitter.
A mudança também vem depois do orador parlamentar Ruslan Stefanchuk ter negado, a 26 de Janeiro, ter enviado o deputado Mikola Tishchenko à Tailândia depois de ter sido noticiado que ele estava numa viagem ao país. O deputado foi subsequentemente expulso das fileiras do Partido dos Servidores do Povo, o partido do presidente, pela sua conduta.
Além disso, a medida de proibição de viagens de lazer por parte de funcionários ucranianos coincide com a demissão de mais de uma dúzia de altos funcionários, na sequência da descoberta de vários escândalos no Ministério da Defesa e da detenção de um vice-ministro por alegadamente aceitar subornos.
Estas alegações de corrupção também levaram David Arajamia, líder do Servidor del Pueblo, a impor penas de prisão contra os funcionários implicados nestes casos. «Desde 24 de Fevereiro (2022, data do início da invasão russa), funcionários a todos os níveis foram avisados através de canais oficiais e não oficiais: concentrem-se na guerra, ajudem as vítimas, reduzam a burocracia e evitem negócios obscuros», disse ele no Telegrama de segunda-feira.
A Ucrânia foi palco de numerosos casos de corrupção no passado e a Transparency International classificou-a em 122º lugar entre 180 no seu Inquérito à Percepção da Corrupção em 2021. A luta contra tais crimes é também uma das principais exigências da União Europeia (UE) no processo da sua possível adesão ao bloco, que a Rússia rejeita firmemente.
Fonte: (EUROPA PRESS)






