
O Tribunal Penal Internacional (TPI) autorizou o seu procurador principal, Karim Khan, a reabrir a investigação sobre as acções das forças de segurança filipinas na «guerra contra a droga» do ex-presidente filipino Rodrigo Duterte – que já disse que não tenciona cooperar com o tribunal no caso – que já reclamou até 12.000 vidas.
O tribunal, com sede em Haia, informou que uma das suas câmaras concordou com o pedido do Ministério Público do TPI para retomar as investigações porque «não está satisfeito» com as medidas tomadas pelo governo filipino.
«Uma série de iniciativas e procedimentos internos, avaliados colectivamente, não correspondem a medidas de investigação tangíveis, concretas e progressivas de forma a reflectir suficientemente a investigação do Tribunal», lê-se numa declaração do órgão judicial.
A investigação da ICC baseia-se numa queixa apresentada em 2018 por organizações não governamentais e familiares de vítimas da «guerra contra a droga». No entanto, Duterte argumenta que o TPI não tem jurisdição para julgar tais crimes e retirou o país do Tratado de Roma, mantendo o tribunal a 17 de Março de 2019. O tribunal, em resposta, afirma que tem o poder de investigar possíveis crimes cometidos pelos Estados signatários durante o tempo em que estes aderiram ao tratado.
O governo filipino admite mais de 6.000 mortes nas suas polémicas rusgas, embora as organizações de direitos humanos concordem que o número real poderia ser até quatro ou cinco vezes superior.
A investigação foi suspensa em Novembro de 2021 a pedido das Filipinas, que anunciaram que iriam investigar os casos perante o Tribunal.
DUTERTE RESPONDE QUE NÃO DEIXARÁ QUE OS «ESTRANGEIROS» O EXPERIMENTEM
O ex-presidente das Filipinas respondeu, através do seu antigo porta-voz Harry Roque, que não tem qualquer intenção de cooperar com a investigação. «O ex-presidente reitera que nunca permitirá que estrangeiros o julguem enquanto os tribunais filipinos estiverem dispostos e aptos a fazê-lo», disse Roque em comentários relatados pelo portal de notícias filipino Rappler.
O antigo porta-voz reiterou a vontade de Duterte de comparecer perante os tribunais nacionais mas «nunca se submeterá à jurisdição de uma organização estrangeira porque seria um insulto à competência, equidade e bom funcionamento do sistema de justiça criminal filipino».
«Apoio a posição firme do ex-Presidente Duterte. Os nossos tribunais nacionais estão dispostos e aptos a conduzir procedimentos justos em casos relacionados com a campanha contra a droga», acrescentou ele.
O antigo porta-voz também chamou ao reinício da investigação do TPI um desperdício de recursos e recomendou que o tribunal se concentrasse na situação de outros países «como a Ucrânia».
O actual presidente do país, Ferdinand Marcos Jr., já disse que não prevê uma possível reintegração do TPI com os mesmos fundamentos que Duterte. «Esse tribunal só deve agir quando um país deixa de ter um poder judicial em funcionamento», explicou ele em Setembro do ano passado. «Isso não acontece nas Filipinas, por isso não vejo que papel este tribunal deveria desempenhar aqui.
Fonte: (EUROPA PRESS)






