
A Presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, disse na sexta-feira que o seu maior receio quando se trata de lidar com a gestão da migração pela União Europeia é que «continuamos a ver as pessoas que procuram refúgio como se fossem números» e insistiu na importância de «não esquecer que para algumas pessoas a Europa é a única esperança».
«Até agora não encontrámos uma única solução para isto», disse, referindo-se ao pacto migratório europeu, no qual disse acreditar fervorosamente em várias ocasiões. «É fácil? Não, claro que não. Mas temos uma responsabilidade como seres humanos; reconhecer que para uma grande parte do mundo onde não há eleições livres, onde a fome persiste e as guerras continuam, a Europa é a única esperança», disse ele durante um encontro com vozes jovens no Instituto de Empresa durante a sua visita a Madrid.
Sublinhou a importância de «olhar para além e não apenas para dentro» das fronteiras da UE. «A coisa mais fácil a fazer é construir muros, mas quando o fazemos também construímos muros na nossa mente», advertiu, antes de afirmar que «este é o principal desafio que os líderes enfrentam».
«Temos de fazer muito do ponto de vista jurídico, há muitas leis em cima da mesa, mas temos de chegar a um acordo. Há 7 milhões de ucranianos que tiveram de abandonar o país, 3 milhões deles ainda estão na UE», disse, referindo-se ao êxodo causado pela invasão russa da Ucrânia.
A este respeito, disse que o bloco da UE «encontrou solidariedade quando percebeu que os Estados dependem uns dos outros para as questões energéticas». «Quando deixamos de falar com as pessoas, perdemos a nossa solidariedade, e este é o principal desafio para a Europa em 2023», disse ele.
«Precisamos de um sistema de migração melhor. Temos de ser justos com as pessoas que vêm para a Europa em busca de protecção e firmes com aqueles que não o fazem», continuou, antes de condenar fortemente o tráfico de seres humanos.
REITERA A IMPORTÂNCIA DO PAPEL DE ESPANHA Em relação à sua visita a Espanha, onde se encontrou com o Rei Felipe VI e o Presidente do Governo, Pedro Sánchez, entre outros, Metsola salientou que o país é «vital para tudo o que é feito na Europa», especialmente tendo em vista a presidência espanhola do Conselho Europeu, posição que o país irá assumir no segundo semestre deste ano.
Em termos gerais, admitiu que 2023 é «um ano difícil», especialmente depois de «quase um ano de guerra no nosso continente», e salientou que a Ucrânia «olha para a Europa como a sua casa e luta pelos nossos valores».
«É claro que as consequências económicas e sociais da guerra são grandes. Temos de ver quão dependentes estávamos do gás russo, mas também destacar países como a Espanha, que são menos dependentes», explicou ele.
Metsola recordou a sua viagem à Ucrânia pouco depois do início da guerra e salientou que se tratava de uma «agressão brutal e ilegal» contra uma população que «ainda considera a Europa a sua esperança». «Há actualmente milhões de ucranianos sem electricidade, água potável ou serviços básicos porque estão a ser bombardeados», disse ele.
Fonte: (EUROPA PRESS)






