
O líder paramilitar Rodrigo Tovar Pupo, aliás ‘Jorge 40’, na sua última oportunidade de ser elegível para a justiça no âmbito da Jurisdição Especial para a Paz (JEP), atribuiu o conflito interno ao Estado colombiano «por omissão por toda a tragédia» que o país sofreu durante décadas e pelo facto de pessoas como ele terem sido forçadas a pegar em armas.
«Aqui o Estado tem de responder e assumir as suas responsabilidades, porque foram os primeiros responsáveis pela tragédia que vivemos na Colômbia por omissão», disse ‘Jorge 40’ na audiência de quinta-feira.
Jorge 40″ responsabilizou o Estado colombiano pela violência sofrida por muitas cidades e municípios do país, esquecendo-se de proteger os cidadãos assediados, disse, por guerrilheiros como as agora extintas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) ou o Exército de Libertação Nacional (ELN).
«Tudo isto aconteceu em plena luz do dia (…) As pessoas estavam mudas e silenciosas. Todos tentaram salvar a sua própria situação. As organizações ilegais tiraram partido de toda a omissão das instituições, incluindo o sistema de justiça», disse ‘Jorge 40’, justificando aqueles que pegaram em armas ilegalmente.
«Espero que eles se ponham no lugar de Rodrigo Tovar ou no de tantas pessoas que pagaram um custo elevado naquela altura», protestou o homem que em tempos comandou o Bloco do Norte das agora extintas Forças Unidas de Auto-Defesa da Colômbia (AUC).
Antes de «Jorge 40» responder às perguntas da audiência, dirigiu-se às vítimas para lhes oferecer desculpas «profundas» e «sinceras» «por toda a dor e danos causados» como combatente e como terceiro colaborador, figura jurídica com a qual espera beneficiar da justiça especial do JEP.
Esta é a última oportunidade que ‘Jorge 40’ tem de recorrer a este tipo de justiça especial, que surgiu após os acordos com as FARC em 2016, que não inclui os grupos paramilitares na sua jurisdição. O seu plano é o de provar que participou no conflito interno da Colômbia como colaborador civil de terceiros.
Jorge 40′ fará a sua última declaração esta sexta-feira antes da decisão final do JEP da prisão de La Picaleña, na cidade de Ibagué (Tolima), onde esteve desde o seu regresso dos Estados Unidos em 2020, depois de cumprir uma pena de doze anos por tráfico de droga. Foi recentemente condenado a 40 anos de prisão por um duplo homicídio em 1999.
Tal como outros paramilitares como Salvatore Mancuso, ‘Jorge 40’ também se juntou à política de desmobilização do ex-Presidente Álvaro Uribe, mas foi expulso por não aceitar o seu envolvimento no recrutamento de menores, crimes de violência de género e rapto. Reconheceu o seu envolvimento em mais de 1.400 crimes, incluindo 300 massacres, pelos quais terá agora de responder se não for bem sucedido na JEP.
Fonte: (EUROPA PRESS)






