
A Comissão Interamericana dos Direitos Humanos (CIDH) manifestou a sua preocupação com a impunidade da violência das forças de segurança na Colômbia face aos protestos e à detenção arbitrária de pessoas a quem depois não é concedida a libertação provisória.
A CIDH apresentou um relatório de acompanhamento sobre 28 das 41 medidas que recomendou às autoridades colombianas após a sua visita à Colômbia em 2021, durante os graves distúrbios no contexto da greve nacional contra o governo do então Presidente Iván Duque. Destes, três têm conformidade parcial avançada, 14 têm conformidade parcial e 11 não têm qualquer nível de conformidade.
O relatório reconhece os progressos na reforma policial e na transformação do Esquadrão Móvel Anti-Riot (ESMAD), mas salienta que apesar da intenção declarada do governo, estes organismos continuam a depender, na prática, do Ministério da Defesa.
A CIDH expressa igualmente a sua preocupação de que as investigações sobre abusos policiais permaneçam num estado de impunidade considerável, apesar da abertura de numerosos casos.
«A grande maioria dos processos abertos ainda se encontram nas fases preliminares de investigação. Do mesmo modo, a CIDH observa que o Estado não adoptou medidas para fornecer e coordenar programas de reparação abrangentes e atempados para as vítimas de acordo com os termos das recomendações», afirma o relatório.
Manifestaram também a sua preocupação com a informação recebida sobre a «persistência» de situações de violência durante as manifestações que se seguiram à greve de 2021.
Relativamente à Lei de Segurança dos Cidadãos, a CIDH adverte que pode ser utilizada para «reprimir actos de protesto e desencorajar a participação dos cidadãos através do poder punitivo» e, por conseguinte, solicita que se impeça a «aplicação arbitrária» desta lei.
A CIDH também salienta a falta de progressos na aprovação de uma lei estatutária para regular e estabelecer limites ao protesto, como também ordenado pelo Supremo Tribunal de Justiça da Colômbia, e na recomendação de armas não letais no controlo das manifestações.
A organização pan-americana também apelou a uma revisão da situação das pessoas que foram «arbitrariamente detidas» no contexto dos protestos e a uma revisão da possibilidade da sua libertação condicional durante os seus processos judiciais.
O texto salienta que concordaram com o novo presidente, Gustavo Petro, em implementar um mecanismo de acompanhamento e monitorização para o cumprimento destas recomendações.
Fonte: (EUROPA PRESS)






