
A União Europeia aceitou as conclusões de um relatório publicado na sexta-feira pela Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPCW) que responsabiliza o exército sírio por um ataque de gás cloro de 2018 na cidade de Duma que matou 43 pessoas.
Bruxelas, numa declaração de sábado, «congratula-se» com a publicação do documento e condena, como conclui o relatório, a utilização de armas químicas pelo exército sírio.
«As conclusões do relatório confirmam ainda o incumprimento sistemático por parte do regime sírio das suas obrigações ao abrigo da Convenção sobre Armas Químicas e da resolução 2118 do Conselho de Segurança das Nações Unidas a este respeito», disse uma declaração do serviço de acção externa da UE.
A UE sublinha que o profissionalismo demonstrado no relatório representa um «importante contributo para os esforços para acabar com a impunidade na utilização de armas químicas» em conflitos internacionais.
«A utilização de armas químicas por qualquer pessoa, em qualquer lugar, em qualquer altura e em qualquer circunstância é uma violação do direito internacional e pode constituir o mais grave dos crimes internacionais: crimes de guerra e crimes contra a humanidade», de acordo com a UE.
«Aqueles identificados como responsáveis por estes actos condenáveis devem e serão responsabilizados», garante Bruxelas, antes de assegurar que «a União Europeia e os seus estados membros continuarão a trabalhar a nível nacional e internacional para enfrentar os ataques com armas químicas e outros crimes hediondos cometidos pelo regime sírio».
«A UE reitera o seu total apoio à OPCW e sublinha a complementaridade do seu trabalho com a ONU. Temos plena confiança na objectividade, imparcialidade e independência do Secretariado Técnico da Organização e da sua Equipa de Investigação e Identificação», acrescenta o bloco da UE.
Os investigadores da OPCW tiraram as suas conclusões, dizem, de 70 amostras ambientais e biomédicas, os depoimentos de mais de 60 testemunhas, bem como imagens forenses, imagens de satélite, modelação informática de dispersão de gás e simulações de trajectórias, todas verificadas por peritos independentes.
De acordo com a avaliação apresentada na sexta-feira, os investigadores da OPCW afirmam que «pelo menos um helicóptero das unidades de elite das ‘Forças Tigresas’ lançou dois cilindros amarelos de gás cloro em dois edifícios residenciais numa área de Douma habitada por civis». O incidente resultou em pelo menos 43 mortes e dezenas de pessoas afectadas.
Os resultados levam os peritos da OPAQ/OPCW a concluir que «a Força Aérea Síria é responsável por este ataque» no que é, segundo o director-geral da OPAQ/OPCW, o diplomata espanhol Fernando Arias, «uma violação do direito internacional». «O mundo conhece agora os factos e cabe à comunidade internacional tomar medidas», acrescentou ele.
Deve recordar-se que a OPCW já tinha confirmado em 2019 indicações de um ataque químico à cidade, embora nessa altura não tenha apontado o exército sírio como sendo o responsável pelo que aconteceu. O Ministério dos Negócios Estrangeiros sírio denunciou o documento inicial, que descreveu como um «conjunto de mentiras flagrantes».
Fonte: (EUROPA PRESS)






