
A delegação da oposição venezuelana que se reuniu no domingo em Madrid com o Ministro dos Negócios Estrangeiros, UE e Cooperação, José Manuel Albares, apelou a não «normalizar» as relações com o governo de Nicolás Maduro, a menos que se verifiquem verdadeiros «avanços democráticos».
O líder da oposição Freddy Guevara, chefe da Comissão dos Negócios Estrangeiros da Assembleia Nacional eleita no final de 2015, explicou numa entrevista à Europa Press que quem quiser defender as actuais negociações com Chavism «não deve atacá-lo».
Na sua opinião, isto envolve gestos limitadores em relação a Maduro. «Se continuarem a nomear embaixadores, a dar-lhes fotografias, a levantar sanções em troca de nada, estarão a perpetuar a ditadura e teremos uma segunda Cuba», disse Guevara de Berlim.
O grupo embarcou numa digressão europeia com a qual espera que a Espanha e outros países assumam uma «estratégia conjunta» que esteja também «alinhada» com os interesses da oposição. A Espanha desempenha um «papel fundamental» neste contexto e, de acordo com Guevara, «qualquer passo em falso é muito sério».
O líder da oposição reconheceu que o recente intercâmbio de embaixadores entre Caracas e Madrid surgiu na reunião realizada no domingo na sede do Ministério dos Negócios Estrangeiros, na qual Albares explicou as razões para este gesto.
A nomeação do embaixador «não correu bem», explicou Guevara, que advertiu que «qualquer passo em falso é muito sério». Recordou também o desembarque do Vice-Presidente Delcy Rodríguez em Madrid em 2020 para assinalar que «é necessária uma maior coordenação e firmeza».
Para além de Guevara, membro do partido Voluntad Popular, o encontro com Albares contou também com a presença de Luis Emilio Rondón, Tomás Guanipa, Mariela Magallanes, Roberto Enríquez, e Luis Aquiles Moreno. O principal delegado no processo de diálogo, Gerardo Blyde, não participou por razões «ligadas à negociação», segundo Guevara.
As partes retomaram o diálogo no México a 26 de Novembro, com um primeiro acordo sobre protecção social, ao abrigo do qual planeiam desbloquear fundos venezuelanos congelados no estrangeiro sob sanções contra o regime de Maduro e controlados pela oposição para financiar projectos sociais.
«Trocámos pontos de vista sobre o processo de diálogo na Venezuela. A Espanha apoia este diálogo», disse Albares no Twitter após a reunião com representantes da Plataforma Unitaria.
O ministro tem sempre defendido a vontade de Espanha de apoiar o diálogo entre o governo e a oposição, e tem mantido contactos com ambas as partes. Encontrou-se com todos os sucessivos ministros dos negócios estrangeiros – ainda não falou com o novo, Yvan Gil – e também esteve em contacto com adversários como Leopoldo López e Henrique Capriles.
Em Novembro passado, Albares encontrou-se com o negociador chefe da oposição, Blyde, em Paris. Nessa ocasião, o ministro também realizou uma reunião separada com o negociador principal do governo venezuelano, Jorge Rodríguez, seguida de uma reunião a três.
Fonte: (EUROPA PRESS)






