
O antigo Secretário-geral da NATO Anders Rasmussen reconheceu na terça-feira que os membros da NATO estão «de alguma forma» envolvidos na guerra na Ucrânia, enviando armas militares para Kiev, mas argumentou que a NATO enquanto tal não é parte no conflito e não irá enviar tropas para o terreno.
«A OTAN não faz parte da guerra. Sobre se consideramos cada aliado individual como parte da guerra, em parte sim, não devemos esconder isto», disse Rasmussen num discurso à Comissão dos Negócios Estrangeiros e da Defesa do Parlamento Europeu. Ele prosseguiu, salientando que a Ucrânia tem o direito de se defender e de pedir ajuda aos seus parceiros, razão pela qual a assistência militar dos aliados está em conformidade com o direito internacional ao abrigo da Carta das Nações Unidas.
«Não nos devemos surpreender por sermos mais ou menos parte desta guerra para defender a Ucrânia. Isto está perfeitamente de acordo com o direito internacional», disse ele aos eurodeputados.
Rasmussen salientou que enquanto a Europa discute sobre o progresso da guerra, estão a perder-se vidas humanas na Ucrânia, pelo que defendeu o envio de todas as armas de que a Ucrânia necessita para combater a guerra contra a Rússia. «Temos a responsabilidade de pôr fim à guerra e quanto mais e mais pesadas forem as armas e quanto mais cedo forem enviadas para a Ucrânia, mais cedo poderemos pôr fim a esta guerra», disse ele.
O antigo primeiro-ministro dinamarquês lamentou que as discussões sobre a ajuda militar entre aliados, incluindo o que excluem o fornecimento a Kiev, tenham dado espaço de manobra ao Presidente russo Vladimir Putin. Pouco tempo depois, porém, excluiu a utilização de armas nucleares ou a presença de tropas da OTAN no terreno.
«Para além disso, penso que não devemos excluir nada. A paz com um ditador não conduzirá à paz, mas ao conflito e à guerra. Porque o apetite de um ditador não tem fim», disse ele aos eurodeputados.
ACORDO DE SEGURANÇA COM A UCRÂNIA O antigo chefe político da OTAN defendeu um acordo de segurança para fornecer um «quadro» para reconstruir e ajudar a Ucrânia no seu caminho para a UE e a OTAN. «A adesão levará tempo e este acordo visa melhorar a sua segurança agora e no futuro», disse ele.
Para que a Ucrânia possa defender-se contra a ameaça russa, os aliados devem oferecer um compromisso «sustentável» e «de várias décadas», disse, sublinhando que o plano envolve o reforço da capacidade do exército ucraniano, a manutenção da formação militar das tropas ucranianas e o desenvolvimento da indústria militar do país.
Segundo o político escandinavo, este pacto, que não procura substituir a adesão da Ucrânia à OTAN, evitaria divisões entre aliados quando se trata de discutir a sua entrada na OTAN, no entendimento de que ajudará a sua futura adesão. «É de facto uma codificação do que já fazemos, mas com uma orientação estratégica», disse ele.
Embora registando o seu apoio à adesão da Ucrânia à OTAN, Rasmussen admitiu que considera a adesão imediata como «complicada» porque as autoridades ucranianas poderiam invocar o Artigo 5º e pedir a assistência militar de todos os aliados da OTAN, empurrando a OTAN para uma guerra directa contra a Rússia. «É por isso que penso que é melhor introduzir um pacto de segurança e dar garantias à Ucrânia como um primeiro passo que pode abrir caminho à adesão à OTAN», disse ele.
O antigo primeiro-ministro dinamarquês argumentou que a retirada das tropas russas do território ucraniano é uma condição para sentar-se para negociar com Moscovo. «Penso que as negociações não irão determinar o resultado da guerra, mas sim as posições no campo de batalha», disse ele.
Fonte: (EUROPA PRESS)






