
A Human Rights Watch (HRW) denunciou na terça-feira o agravamento da repressão na Birmânia dois anos após o golpe e exortou a comunidade internacional a coordenar «uma maior pressão sobre a junta».
«A Indonésia, a Malásia e Singapura, em particular, devem sinalizar aos EUA e à União Europeia que apoiarão o reforço e a aplicação das sanções existentes contra a junta. Sem sanções específicas mais fortes, o Exército da Birmânia só irá reforçar o seu controlo brutal sobre a população», disse a directora asiática da HRW, Elaine Pearson.
A organização lamentou que a junta tenha «reprimido brutalmente qualquer oposição e restringido severamente as liberdades de expressão, associação e reunião» desde as acções militares de 1 de Fevereiro de 2021.
«A junta militar da Birmânia passou os dois anos desde o golpe numa espiral crescente de atrocidades contra o povo birmanês que se traduzem em crimes contra a humanidade e crimes de guerra», afirmou.
«Em vez de prosseguirem com ‘eleições’ inevitavelmente fraudulentas em Agosto, os generais da Birmânia deveriam enfrentar consequências internacionais pelos seus crimes», disse Pearson.
As ONG relataram que pelo menos 17.000 manifestantes e activistas foram presos e 2.900 mortos, enquanto as forças de segurança efectuaram detenções arbitrárias, tortura, violência sexual e assassínios em massa, abusos que constituem crimes contra a humanidade.
Além disso, a junta impediu que a ajuda humanitária chegasse aos milhões de pessoas deslocadas ou em zonas de conflito, tais como os Rohingya, uma minoria muçulmana que vive principalmente no estado birmanês de Rajine, que são apátridas, sem direitos de voto e sujeitas a numerosos abusos.
«No estado de Rajine, onde os Rohingya sofreram durante muito tempo abusos e discriminações sistemáticas que se traduziram em crimes contra a humanidade, incluindo perseguição e apartheid, as forças de segurança impuseram novas restrições à circulação e ajuda», lê-se numa declaração da HRW.
O relatório refere que estas restrições agravaram a escassez de alimentos e água, aumentando o risco de doenças e de desnutrição grave.
O Conselho de Segurança da ONU aprovou a sua primeira resolução sobre a situação no país em Dezembro, apelando ao fim da violência e dos ataques contra civis e infra-estruturas civis, bem como à libertação de todos os prisioneiros políticos.
Fonte: (EUROPA PRESS)






