
Hanan Elatr, viúva da jornalista saudita Yamal Khashogi, pediu às Nações Unidas e aos Estados Unidos que intercedessem junto da Turquia para recuperar os dispositivos electrónicos do seu marido – morto no consulado saudita em Istambul em 2018 – uma vez que tenciona utilizá-los nos próximos procedimentos legais.
«Tenho o direito de receber todos os seus bens, especialmente agora que estou a iniciar uma acção judicial nos Estados Unidos contra todas as partes responsáveis pelo assassinato do meu marido», exigiu a mulher do jornalista em várias cartas enviadas em Novembro e Janeiro e acedidas pela NBC.
Neles, ela pede que lhe sejam entregues o portátil, o tablet e dois telemóveis de Khashogi, pois podem conter «detalhes não revelados» sobre o seu assassinato, tendo em conta os procedimentos legais que ela planeia trazer para os EUA contra os governos Saudita e Emirati, bem como a agência israelita NSO Group, que criou o spyware da Pegasus.
Elatr explicou que a Turquia recuperou estes dispositivos pouco depois do assassinato do seu marido e que apesar dos seus pedidos pessoais ao governo turco e ao Presidente Recep Tayyip Erdogan, ela não foi ouvida, para além de a remeter para os canais legais apropriados representados pelos tribunais otomanos.
No entanto, Elatr, cidadã Emirati e requerente de asilo nos Estados Unidos, explicou que não pode recorrer ao sistema judicial turco devido à falta de passaporte e de recursos financeiros. Além disso, o seu tempo está a esgotar-se. Em Novembro, expira o prazo para apresentar uma queixa contra o Grupo NSO, depois de saber que tinha espiado no seu telefone e que poderia ter feito o mesmo com os do seu marido.
«Não é só a Arábia Saudita que é culpada. Há muitos que são, e nós temos o direito de os conhecer e levá-los à justiça», disse Elatr numa entrevista à NBC, na qual também apontou a responsabilidade dos Emirados Árabes Unidos e do Grupo NSO, que sempre negou que a Pegasus tivesse alguma coisa a ver com o «hediondo assassinato».
Elatr planeia apresentar uma queixa criminal e civil contra a Arábia Saudita pelo assassinato de Khashogi num tribunal dos EUA, apesar da imunidade de que o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman goza em solo americano como primeiro-ministro saudita.
Contudo, em Fevereiro de 2021, um relatório desclassificado dos serviços secretos norte-americanos concluiu que o príncipe saudita aprovou o assassinato de Khashogi, bem como a ligação de cerca de 20 outras pessoas.
Os outros dois casos são contra os Emirados Árabes Unidos, que ela acusa de instalar spyware Pegasus no seu telemóvel quando foi detida por agentes dos serviços secretos norte-americanos no aeroporto do Dubai em Abril de 2018, bem como contra a empresa israelita.
Fonte: (EUROPA PRESS)






