
O Presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, rejeitou mais uma vez a proposta do Comité Olímpico Internacional (COI) para a participação de atletas russos sob uma bandeira neutra, e recordou que o exército russo já invadiu a Crimeia em 2014 sem a necessidade de exibir símbolos e faixas nacionais.
«Os ocupantes russos destroem a vida normal sem quaisquer símbolos; foi assim que a agressão russa começou. A nossa península da Crimeia foi ocupada por soldados russos sem qualquer insígnia», disse o líder ucraniano numa declaração no website presidencial.
Também salientou que a Rússia carregou várias letras do alfabeto latino – Z e V – com «ideologia genocida», um alfabeto que é estranho ao alfabeto cirílico utilizado na língua russa, mas que serviu a Moscovo para expandir o seu «racismo» independentemente da cor específica utilizada.
De facto, Zelenski revelou que as tropas invasoras russas alegadamente emitiram braçadeiras brancas aos ucranianos em áreas ocupadas «supostamente para que não fossem mortos», mas os ucranianos foram torturados e executados por soldados russos apesar destas marcações.
Com estas referências, o presidente ucraniano salientou mais uma vez que não é necessário que os atletas russos e bielorussos ostentem bandeiras nacionais para apoiar a ideologia e as aspirações do presidente russo Vladimir Putin.
«Se representantes de um Estado terrorista aparecerem em competições (…) importará se lá estiverem sem os seus símbolos nacionais?» interrogou Zelenski, que então respondeu a si próprio afirmando que «a simples presença» dos russos é «uma manifestação de violência e de anarquia».
Finalmente, no seu enésimo apelo à colaboração internacional para parar a invasão russa, Zelenski afirmou que a salvaguarda dos valores do respeito e da vida pacífica deveria ser a principal tarefa da comunidade internacional, enquanto que a Rússia escolheu «o caminho do terror» que «não tem lugar no mundo civilizado».
«Se os princípios olímpicos forem destruídos e os atletas russos forem autorizados a participar em qualquer competição ou nos Jogos Olímpicos, é apenas uma questão de tempo até que o Estado terrorista os obrigue a jogar juntamente com a propaganda de guerra», disse Zelenski, que concluiu que «o terror e o Olimpismo são dois opostos».
ATLETES UCRÂNICOS MORTADOS Por outro lado, o presidente ucraniano referiu-se aos 228 atletas ucranianos que perderam a vida desde o início da guerra, apoiando assim um argumento anteriormente utilizado pelo ministro dos negócios estrangeiros ucraniano, Dimitro Kuleba.
Na altura, Kuleba, e agora Zelenski, queixaram-se de que praticamente nenhum desportista russo se manifestou para «condenar o terror desencadeado pelo seu Estado». «Há apenas algumas vozes isoladas que estão a desaparecer rapidamente», disse o líder ucraniano.
Ele também levantou a ligação entre o exército russo e algumas federações desportivas nacionais, uma vez que «muitos atletas» do país eurasiático também têm uma «patente militar» nas forças armadas.
«Sabemos que muitos atletas russos estavam associados aos clubes desportivos do exército russo e às agências de segurança do Estado. Incluindo atletas que competiram em campeonatos e Jogos Olímpicos», comentou Zelenski.
«Se os assassinatos e os ataques com mísseis fossem desporto olímpico, então já sabemos qual seria a equipa nacional em primeiro lugar», concluiu.
O COI confirmou há vários dias a sua intenção de permitir a participação de atletas russos e bielorussos em competições desportivas sob uma bandeira neutra, a fim de evitar a discriminação com base na origem e na nacionalidade.
Esta proposta suscitou críticas não só da Ucrânia, mas também de muitos dos seus parceiros, incluindo os Estados Bálticos, a Polónia e mesmo o Reino Unido. Alguns deles apelaram mesmo a um boicote aos Jogos Olímpicos de Paris de 2024.
Fonte: (EUROPA PRESS)






