
O Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, realizou esta sexta-feira uma reunião bilateral com o seu homólogo brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, onde a salvaguarda da democracia, dos direitos humanos, das alterações climáticas e da guerra na Ucrânia estiveram no centro da conversa, assunto sobre o qual Lula exortou Biden a criar um grupo de países não envolvidos no conflito, a fim de encontrar a paz.
O Presidente brasileiro reiterou a Biden a «necessidade de criar um grupo de países que não estejam directa ou indirectamente envolvidos na guerra da Rússia contra a Ucrânia», a fim de encontrar a possibilidade de paz, algo que, disse, já comunicou ao Presidente Emmanuel Macron e ao Chanceler alemão Olaf Scholz.
«É necessário ter parceiros capazes de construir um grupo de negociadores em que ambos os lados acreditem e com quem ambos os lados se possam compreender e possam pôr fim a esta guerra», acrescentou o Presidente Lula, sublinhando ao mesmo tempo a importância de primeiro parar os ataques e depois «avançar para negociar o que acontecerá no futuro».
A este respeito, ambos os líderes expressaram a sua preocupação com os efeitos globais do conflito sobre a segurança alimentar e energética, especialmente nas regiões mais pobres do mundo, e expressaram o seu apoio ao pleno funcionamento da Iniciativa dos Grãos do Mar Negro.
PRIORIDADE «URGENTE» PARA MUDANÇAS CLIMÁTICAS Os líderes americanos colocaram a luta contra as alterações climáticas no centro da sua reunião e reconheceram o papel de liderança que ambos os países podem desempenhar no desenvolvimento sustentável.
A este respeito, os Estados Unidos assinalaram a sua intenção de financiar programas de protecção e conservação da Amazónia brasileira, incluindo o apoio inicial ao Fundo da Amazónia, e de impulsionar o investimento nesta região crítica.
No entanto, o líder brasileiro confirmou que não «discutiu especificamente o Fundo Amazonas» durante a sua reunião. «Discuti a necessidade de os países ricos assumirem a responsabilidade de financiar todos os países que têm florestas», acrescentou ele.
«Não discuti especificamente o Fundo Amazonas, discuti a necessidade de preservar, agora o que posso dizer é que vou participar no Fundo Amazonas», confirmou Lula.
DEMOCRACIA E DIREITOS HUMANOS Durante o encontro entre aquilo a que chamaram «as duas maiores democracias das Américas», ambos os líderes salientaram o seu trabalho conjunto para proteger a democracia, bem como a sua rejeição do «extremismo e violência na política», tudo no contexto do assalto ao Capitólio dos EUA em Janeiro de 2021 e do recente assalto às sedes das potências estatais no Brasil.
Além disso, ambos os líderes concordaram em trabalhar em conjunto para fazer avançar a agenda dos direitos humanos, onde se comprometeram a revigorar o Plano de Acção Conjunta EUA-Brasil para Eliminar a Discriminação Racial e Étnica e Promover a Igualdade, com o objectivo de beneficiar as comunidades marginalizadas em ambos os países, afirmaram os dois governos numa declaração conjunta.
Na mesma linha, Lula e Biden afirmaram o seu interesse em reforçar a sua parceria em instituições multilaterais «no contexto da próxima presidência brasileira do G20», bem como o seu objectivo de alcançar uma reforma significativa do Conselho de Segurança das Nações Unidas, a fim de incluir lugares permanentes para os países africanos e latino-americanos e das Caraíbas.
Fonte: (EUROPA PRESS)






