
As Nações Unidas alertaram na sexta-feira para um aumento dos ataques de gangs e da violência no Haiti, com um total de 95 pessoas mortas num único dia, em Julho de 2022.
De acordo com o novo relatório, entre 8 de Julho e 31 de Dezembro de 2022, bandos mataram 263 pessoas enquanto 285 outras ficaram feridas, e quatro desapareceram, todas no bairro de Brooklyn em Cité Soleil. Além disso, 57 violações em grupo de mulheres e raparigas terão tido lugar.
O número mais elevado registado num único dia foi a 8 de Julho, quando um total de 95 pessoas, incluindo seis crianças, foram mortas em ataques de gangues no Haiti.
«As conclusões deste relatório são chocantes», disse o Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos Volker Türk durante uma visita ao Haiti esta semana, ao mesmo tempo que apelava à atenção para o «assédio e terror» semeado por bandos criminosos, especialmente em Cité Soleil, na periferia da capital haitiana, onde os ataques aumentaram dramaticamente.
Além disso, o novo relatório do Serviço de Direitos Humanos do Gabinete Integrado da ONU no Haiti (BINUH) adverte que a situação na vizinhança acima referida reflecte a realidade noutras áreas do Haiti onde os gangues estão armados.
Entre eles, o bando «G-9 en Familia y Aliados», que faz uso de franco-atiradores para criar «um clima de terror quase permanente» devido ao uso deste tipo de armamento para matar arbitrariamente «qualquer pessoa que passou pelo seu campo de visão», de acordo com o relatório.
Ao mesmo tempo, o bando utilizou outras tácticas para restringir a circulação de pessoas e bloquear o acesso a bens básicos e saneamento, o que empobreceu ainda mais a população local e agravou a região «já extremamente insalubre».
Isto tem encorajado a propagação de doenças infecciosas como a cólera, cujos primeiros casos foram comunicados no bairro de Brooklyn no início de Outubro de 2022, os primeiros no país desde 2019.
Neste sentido, a Türk apelou à comunidade internacional a destacar «uma força de apoio especializada e calendarizada» para levar a cabo um plano «abrangente e preciso» para pôr termo à violência no Haiti, segundo o funcionário da ONU durante uma conferência de imprensa na sexta-feira.
De acordo com números da ONU, as recentes crises políticas e humanitárias no Haiti deixaram quase cinco milhões de pessoas – metade da população do país – numa situação de fome aguda. A situação tem sido agravada por uma guerra de relva entre uma coligação de gangues na região.
Fonte: (EUROPA PRESS)






