
O embaixador francês no Níger, Sylvain Itté, pediu desculpa à população nigeriana depois de discutir no Twitter com um utilizador sobre a influência da Rússia no país africano e o declínio da presença francesa noutros países do continente.
A discussão teve lugar há três dias no contexto da recente inauguração de uma central fotovoltaica europeia parcialmente financiada pela França em Gorou Banda, perto da capital Niamey.
Um utilizador do Twitter salientou que o país «prefere uma cooperação com a Rússia, mais respeitadora da soberania, ao que o diplomata respondeu: «Soberania em vez de quê? Ficaríamos encantados se a Rússia anunciasse o seu apoio aos esforços da UE e anunciasse a construção de uma central eléctrica ou o fornecimento de água à população nigeriana».
«Parem de beber água em Niamey, porque é água europeia», acrescentou o diplomata, num comentário que acabou por desencadear uma controvérsia que o embaixador tentou resolver na sexta-feira.
Peço desculpa aos nigerianos por poder ter ofendido», disse ele. «O meu desejo era sublinhar que os europeus estão a trabalhar com os seus parceiros nigerianos para servir o povo do Níger. Claro, a água do Níger pertence aos nigerianos. As minhas palavras foram deliberadamente distorcidas», disse Itté.
Esta fricção surge numa altura em que vários países africanos expressam abertamente a sua insatisfação com a presença francesa no seu território, no que descrevem como uma política neo-colonialista.
O Mali é o melhor exemplo desta situação. Em Maio do ano passado, a junta do Mali anunciou a ruptura de todos os acordos de defesa com a França, citando violações da sua soberania pelas tropas francesas e uma «profunda deterioração da cooperação militar», enquanto Bamako se moveu para reforçar os laços com a Rússia, em parte através da presença de mercenários do grupo Wagner – «instrutores militares», de acordo com as autoridades malianas.
Fonte: (EUROPA PRESS)






