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Dia de protestos em França termina com cerca de 300 detidos, 234 em Paris

Sergio Silva

2023-03-21
Polícia
Polícia destacada para protesto contra a reforma das pensões em Paris – Remon Haazen/Zuma Press Wire/Dpa

Os protestos e motins de segunda-feira em França, coincidindo com a votação de duas moções de censura contra o governo na Assembleia Nacional, terminaram com quase 300 detenções, 234 das quais só em Paris, onde foram registados alguns dos piores distúrbios.

Os serviços de emergência também realizaram cerca de 240 intervenções para apagar incêndios, na sua maioria envolvendo caixotes do lixo, de acordo com fontes citadas pela Franceinfo. Além disso, onze membros das forças de segurança foram feridos em confrontos com manifestantes, relata a BFMTV.

Os protestos foram o culminar de um dia dominado pela tensão política, depois de o governo ter forçado através da controversa reforma das pensões à custa de ser sujeito a duas moções de censura, uma das quais resultou numa diferença de apenas nove votos entre apoiantes e opositores do executivo.

A chave para esta votação foi a votação por partes no seio dos republicanos, o principal partido da direita tradicional. Embora a liderança deste partido tenha defendido não apoiar as moções, 19 deputados romperam com a linha oficial para se posicionarem junto do resto da oposição.

Para o líder republicano, Olivier Marleix, esta figura «não foi inteiramente surpreendente», embora ele não esperasse um apoio tão elevado para a moção. Foram aqueles que eram contra a «reforma das pensões», tentou justificar esta terça-feira, numa entrevista no BFMTV.

O ex-presidente François Hollande, um socialista, sugeriu ao actual presidente, Emmanuel Macron, que é tempo de «acalmar» e esperar que o exame da reforma seja levado a cabo pelo Conselho Constitucional, do qual depende o aval político final de uma lei que tem gerado uma cascata de protestos e greves desde Janeiro.

Hollande, contudo, advertiu no LCI que a situação actual deriva de «uma sucessão de erros», entre outras razões porque considera que «não era o momento certo para propor a reforma», com a inflação a aumentar e um contexto global marcado pela guerra na Ucrânia.

Fonte: (EUROPA PRESS)

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